ballroom dancing


sem calcinha
15/06/2009, 00:16
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E aí que, racionando o conteúdo da bagagem, me limitei a levar uma calcinha por dia, mais umas duas de reserva (mulher precavida, vocês sabem).

Ainda não entendi como, mas em Berlim notei que o compartimento de calcinhas na mochila estava quase vazio. Nenhum problema: passei na H&M que ficava pertinho do albergue e subi para o andar da lingerie.

Ouch.

Era pior do que eu imaginava. As alemãs não têm muita bunda, certo? Nem eu. E eu precisaria de pelo menos duas da minha para encher alguma daquelas calcinhas. As poucas que economizavam no pano eram string – ai, que delícia correr por aí de mochila nas costas e uma tira de renda áspera separando as nádegas. Desisti.

Ok, mas eu não podia ficar sem calcinhas. Lavar no albergue seria complicado. Usar a mesma por dois dias… ahn, não. Entrei numa farmácia.

Olha, um modelo “mini”!

minicalcolao

Se esse era o mini, imaginem os tamanhos maiores.

Bem, acabei comprando. Precisei dobrar a calcinha para que ela não ficasse vários centímetros acima do cós da calça, mas, no fim, foi uma experiência interessante – uma coisa “vivendo como os locais”.

Pior de tudo é que, devo admitir, elas são bem confortáveis.



I’m in. I’ll go pack my stuff.
08/06/2009, 00:35
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Nunca fui muito boa com essa coisa de fazer malas. Sempre tive que usar listas, fazer pilhas em cima da cama, isolar áreas na pia do banheiro, sair correndo para comprar alguma coisa. Inveja danada daquelas pessoas que vão passar meses em Paris e fazem a mala uma hora antes de ir para o aeroporto.

Nessa última viagem, claro, não foi muito diferente. Acho que comecei uma semana antes de embarcar. Na véspera, enfrentei uma tarde de sábado no shopping, fervor pré-dia-das-mães, para comprar uma calça e um casaco (não, eu não tinha. não que me servissem.)

O agravante era a parte mochileira da viagem. Levar o essencial, Daniela, somente o essencial.

Hidratante é essencial?

Nah, hidratante é frescura. Ninguém precisa de hidratante para viver, certo? Mas de banho, sim, e a viagem não vai me dar chance de tomar banhos decentes. Pelo menos cheirinho de banho eu poderia ter. Fresca! Fresca! Levei.

(Fresca!)

Dresden, primeiro albergue da viagem. Entro no banheiro e vejo um nécessaire todo aberto, vários cremes e um CURVEX. Não importa como são os seus cílios, querida, ninguém p-r-e-c-i-s-a de um curvex. Não em um albergue em Dresden, por favor.

curvex

Pronto. Resolvido: eu não sou fresca, hidratante não é frescura.

E tudo parece bem com a bagagem, mas aos poucos as roupas vão se transformando em roupa suja e de repente, oops!, fiquei sem calcinhas.

Mas isso fica para outro post.



hey mister DJ, put a record on
25/05/2009, 10:05
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Eu tinha mesmo prometido “sem desculpas”. Mas o maior problema é minha memória falha, e por isso preciso registrar tudo enquanto ainda me lembro.

Viajei, voltei. Preparei um moleskine especial e fiz anotações, mas quando se tem só uma semana em Berlim não dá para perder tempo com meu-querido-diário – muito menos com blog, antes que perguntem. E agora vou, aos poucos, contar umas historinhas por aqui.

Aos poucos, eu disse.

Porque agora tenho que sair para o trabalho. Porque agora voltamos à vida real. Ou o contrário.

É. O contrário.

jesus loves you



é que
01/05/2009, 15:02
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É, eu sei. Mas eu tenho uma boa desculpa. Várias, aliás. Eu sempre tenho desculpas. E são sempre verdadeiras, apesar de às vezes não parecerem – e nessas ninguém acredita.

(Mentira. Nem sempre são totalmente verdadeiras. Mas dessas ninguém duvida.)

Montanhas de coisas e me desorganizo completamente. Tempo livre não me adianta se é uma hora apertada entre duas outras horas. Agora faltam só dois dias e tantos caquinhos para juntar, mas o principal já foi: passagens, roteiro, reservas, dinheiro. Ah, falta a mala. A mala é importante e nunca é fácil para mim.

Eu vou viajar.

A criança ansiosa perdeu vários passeios com o colégio porque acordava vomitando. A adulta ansiosa teve certeza de que iria morrer dentro de um avião e ganhou medo de voar.

Mais um item na checklist: lexotan.

Hoje tenho tempo livre e estou desviando. Eu não preciso estar aqui. Eu não deveria estar aqui.

Eu sei que não vou querer voltar, mas volto no fim do mês, de alma cheia e bolso vazio. E, espero, sem desculpas.

Até.



simples química
09/03/2009, 21:54
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Minha maior vontade agora, juro, é puxar pela gola o primeiro cidadão a passar pela porta deste blog e compartilhar com ele meu sofrimento. Juro. Mas acabo de ligar o computador pela primeira vez em dias e, ó!, me sinto com um mancebo tuberculoso padecendo à luz de velas para borrar no papel aquela poesia de merda.

Fato é que resolvi deixar que me arrancassem* um siso, o resto do qual vai muito-bem-obrigada, e acabei descobrindo mais um antibiótico para minha lista de mocinha alérgica.

Devia ter sido um fim de semana de sofrimento e dor moderados, em bola, casquinha ou cascão, tudo no conforto do lar. Mas teve plantão médico, cagada de enfermeira, xingamentos que partiram da família inteira para chegar até Hipócrates e COCEIRA, argghhhhhhhh, muita muita muita coceira.

As fotos me ajudarão a provar o quanto estou sofrendo.  <com olhos cerrados, cabeça inclinada, costas da mão sobre a testa>Oh</com>

Pensando bem (e levando em conta do potencial casamenteiro da rede), pouparei o salão das nojeirices. Deixo só uma, que o celular se encarregou de amenizar baixando o contraste. coceira

 

* lembrando que extrair pode ser usado para coisas como veneno de cobras, mas nunca dentes. Dentes se arrancam, ora.



putz
02/03/2009, 14:36
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Acho que eu já tinha esquecido disso aqui (como tenho esquecido de tanta coisa, até mesmo de como é ter uma vida).

Miss Heatlh & Vitality 1934 está um pouco cansada para dançar agora, mas hoje é seu *aleluia* dia de folga *aleluia*, e tirar os sapatos por um dia sempre ajuda.

A manhã chuvosa foi um presente para eu aproveitar minha cama, ou metade dela, já que o resto foi tomado por livros, roupas, revistas, carregador de celular, contas pagas e até um mapa de São Paulo.

Temos muitas coisas para resolver hoje. Mas não vou precisar ficar testando as janelas que abrem.



coitada da moça
10/02/2009, 23:20
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Não posso escrever muito, então vou substituir uns dois parágrafos introdutórios por uma foto.

 tala

Foram quatro dias assim.

Se dentro de casa era difícil me fazer de coitada – ninguém para se comover com meus olhinhos piscantes e lavar a louça, por exemplo – na rua foi um pouco mais divertido. Quer ajuda, moça? Coitada da moça ali, com o braço quebrado.

Quebrado? Bem, é verdade que existe uma leve diferença entre isso e meus tendões inflamados, mas a tala-fiasco que me fizeram justifica a confusão. “Vamos ter que imobilizar”, disse o Dr. Coppola, e não pela primeira vez. Se é o único jeito de me aquietar a mão, vamos lá. A mão, eu disse. E de repente meu antebraço direito inteiro era uma múmia gorda.

Estranhei mais, talvez, porque nunca quebrei braço, perna nem dedo (criança cuidadosa, adulta de sofá). Mas que inferno. Que coceeeeeira. Uma bolha no polegar que insistia em se mexer, um braço sobrando na hora de dormir e um cheiro poeirento vindo da atadura. Horas de preparação para um banho meia-boca e o grande problema da higiene da axila esquerda (sabonete? desodorante? alguém alcança?).

Minha cara de vira-lata sofrida foi suficiente para convencer Dr. Coppola a me livrar logo de tal suplício, e depois disso eu até me controlei para não arrancar o relevo comichento da pele a unha. “Sente alguma dor?”  Bem, os dedos estão OK, a mão também, mas… agora me dói o pulso. ”Ah, isso é da tala”. Ah.

Eu poderia usar esse “ah” para reclamar por mais alguns parágrafos, mas o pulso finalmente parou de doer (agora quem me incomoda são os sisos-gêmeos, mas isso não vem ao caso por enquanto) e eu tento manter em mente que preciso de repouso, nada de forçar demais as mãos.

Acho que agora é o momento de colocar em prática aquele monte de promessas de ano-novo que só me sobrevoaram até então: não me matar trabalhando, aprender a usar o telefone, fazer exercício físico e, por que não?, parar de reclamar disso tudo. Até porque passarei as próximas semanas bastante ocupada reclamando do super-siso e de todos os dentistas do mundo, claro. Mas isso já é outro post.



1, 2, 3
09/02/2009, 02:48
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NÃO SEI DANÇAR

Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.
Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
Mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria…
Abaixo Amiel!
Eu nunca lerei o diário de Maria Bashkirtseff.


Sim, já perdi pai, mãe, irmãos.
Perdi a saúde também.
É por isso que sinto como ninguém o ritmo do jazz-band.


Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu tomo alegria!
Eis aí por que vim assistir a este baile de terça-feira gorda.


Mistura muito excelente de chás…
________________________Esta foi açafata…
- Não, foi arrumadeira.
E está dançando com o ex-prefeito municipal:
tão Brasil!


De fato este salão de sangues misturados parece o Brasil…
Há até a fração incipiente amarela
na figura de um japonês.
O japonês também dança maxixe:
acugelê banzai!


A filha do usineiro de Campos
olha com repugnância
para a crioula imoral,
no entanto o que faz a indecência da outra
é dengue nos olhos maravilhosos da moça.
E aquele cair de ombros…
Mas ela não sabe…
Tão Brasil!


Ninguém se lembra de política…
Nem dos oito mil quilômetros de costa…
O algodão do Seridó é o melhor do mundo?… Que me importa?
Não há malária nem moléstia de Chagas nem ancilóstomos.
A sereia sibila e o ganzá do jazz-band batuca.
Eu tomo alegria!

[Manuel Bandeira, 1925]